Aplausos
Música
Dói
Basta es tar vivo pra sentir
doer
E ouvi soar o sino do prazer
Quando, enfim, o samba terminar
A dor, sim, os olhos tristes
dizem muito mais do que as palavras que vós professais,
de
Tão antiga que é essa dor
Quando as tribos vagavam
Ainda sem rumo e ausentes
de Deus
Antes de haver se inventado
Um sentido pra tudo e pra nada
Quando aprenderam a expressar
O seu medo e co ragem
através de sinais
Quando invadiram outras terras
Quando pensaram em tornar
-se imortais
Sem ter sossego jamais
A dor nunca doeu
em paz
Dói, é inevitável ao poeta dor
Não pra sofrer,
mas pra falar de amor
Quando,
enfim, o amor acontecer
Sim, dói
E nenhum óbvio ou religião
Pode anestesiar o coração
De quem vai fundo
pra se conhecer
Quando os escravos cantavam
pela madrugada aos seus orixás
Quando os tambores zumbiam
por tantas mãos quilombolas
Quando os pambas na
casa da tia Ceata
Traçaram pro rio toda
alegria do samba
Inaugurando um novo Brasil
Com cara e cadência nos pés
Com dedo e retrato e papéis
Lá, lá, lá, lá,
O samba é nativo da dor
Assim como o blues e o jazz
Viva! Viva!
Quando os escravos cantavam
Pela madrugada aos seus orixás
Quando os tambores zumbiam
Por tantas mãos que lombar
Quando os pambas na casa
da tia Zia
Trouxeram pro rio
Toda alegria do samba
Inaugurando um no
vo Bra sil
Com ca ra e
capricha nos pés
Com dedo e
retrato e pa péis
O samba é nascimento da dor
E do amor
Assim como o e o jazz
Maravilha!
Obrigada, Antônio Guilhermo Arr.
Essas músicas maravilhosas,
é uma honra estar aqui.
Obrigada.